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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Arte Egípcia


        Em vista da obsessão da sociedade egípcia com a imortalidade, não é de surpreender que a arte tenha se mantido sem mudanças por três mil anos. Sua mais alta preocupação era garantir uma vida após a morte confortável para seus soberanos, que eram considerados deuses. A colossal arquitetura e as obras-de-arte existiam para cercar o espírito do faraó de glória eterna.
Nessa busca de permanência, os egípcios definiram o essencial para uma grande civilização: literatura, ciências médicas e alta matemática. Não apenas desenvolveram uma cultura impressionante – apesar de estática – mas, enquanto outras civilizações nasciam e morriam com a regularidade das cheias do Nilo, o Egito sustentou o primeiro estado unificado de grandes porte durante três milênios.
 
 (Fonte: Strickland, Carol. Arte Comentada: da Pré-historia ao Pós-moderno. 
Editora: Ediouro, 1999) 
            Mas se hoje temos conhecimento dessa fascinante civilização que se desenvolveu às margens do rio Nilo, foi graças a descoberta da Pedra da Roseta, uma laje de basalto com a mesma inscrição em três línguas: o demótico, o grego e os hieróglifos descoberta em 1799. Mas apenas em 1822 Champollion conseguiu decifrar os hieróglifos, escrita sagrada egípcia, tornando possível decifrar os escritos encontrados nas tumbas, que eram verdadeiras cápsulas de informação sobre a vida cotidiana de seus ocupantes e que forneceram conhecimentos detalhados dessa civilização desaparecida.

  • Leia abaixo a história da Pedra da Roseta. 

PINTURA

          Os egípcios amavam demais o mundo terreno para acreditarem que os seus prazeres chegassem necessariamente ao fim com a morte. Achavam que pelo menos os ricos e poderosos poderiam desfrutar as delícias da vida pela eternidade afora, desde que as imagens desses falecidos fossem reproduzidas em suas respectivas tumbas. Assim, boa parte da pintura egípcia era feita em prol dos mortos. Entretanto, é possível que os egípcios não julgassem que garantir uma boa vida após a morte exigisse muito gasto e que, por isso, tenham escolhido a pintura como um recurso que poupava mão-de-obra e cortava gastos. Em lugar da dispendiosa arte escultórica ou da pedra talhada, empregava-se uma expressão artística mais barata, a pintura. Em todo caso, é certo que o estilo de pintura cerimonial e formal usado nas paredes das tumbas não era o único disponível. Hoje sabemos que, ainda em vida, egípcios ricos tinham murais em casa e que estes eram elaborados em estilos pinturescos de rica textura. Infelizmente, só perduraram pequenos fragmentos desses murais.

(BECKETT, Wendy. A História da Pintura. São Paulo: Editora Ática. 1997)
               
            Entre as regras seguidas na pintura e nos baixos-relevos, destaca-se a Lei da Frontalidade, uma verdadeira marca da arte egípcia. De acordo com ela, a arte não deveria apresentar uma reprodução naturalista, que sugerisse ilusão de realidade: pelo contrário, diante de uma figura humana retrata frontalmente, o observador deveria reconhecer claramente tratar-se de uma representação.

Pintura, Capela funerária de Tutmes III
 Pintura, Decoraçao da tumba de Seti
Pintura, A tumba de De Horemheb
          
 Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no reino, ou seja, nesta ordem de grandeza: o rei, a mulher do rei, o sacerdote, os soldados e o povo. As figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas pintadas de vermelho.
 
 Pintura, Casal real no jardim
Pintura, Maat a deusa da verdade

Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa 
fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, 
suas pernas e seus pés eram vistos de perfil.

            A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas.
            As características da pintura egípcia são:
• ausência de três dimensões;
• ignorância da profundidade;
• colorido a tinta lisa, sem claro-escuro e sem indicação do relevo.

ESCULTURA


               Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano, dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade. Os homens possuíam a cor da pele mais escura e apareciam sempre maiores que as mulheres.Há esculturas de todos os tamanhos feitas em madeira, pedra, outro e bronze.
 
Escriba sentado
 Estátua do faraó
Templo de Abu-Simbell
Nefertiti e Akhenaton
 Rei Mycerinus e sua rainha

       Os Usciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente esmaltadas de azul e verde, destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além, muitas vezes coberto de inscrições.
             Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo.


 
ARQUITETURA



                As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Junto a essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito, que representa o faraó Quéfren, mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deram-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.

                Queóps é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146 metros de altura, um prédio de 48 andares. Nove metros já se foram, graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil Inícions, durante vinte anos.
Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Eram colocadas na alameda de entrada do templo para afastar os maus espíritos.

                As características gerais da arquitetura egípcia são:
• solidez e durabilidade;
• sentimento de eternidade; e
• aspecto misterioso e impenetrável.

               As pirâmides tinham base quandrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences.   

(Fonte: Texto: http://www.historiadaarte.com.br/)
             Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus Amon.
Templo de Carnac
Templo de Luxor
                Templo de Carnac
 
Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar.

                Muito do que se conhece sobre o Egito antigo provém das tumbas que restaram. Como os egípcios acreditavam que o ka, o espírito, do faraó era imortal, depositavam em sua tumba todos todos os seus bens terrenos para que ele os usasse na eternidade. As pinturas e os hieróglifos nas paredes eram uma forma de inventariar a vida e as atividades diárias do falecido nos mínimos detalhes. estátuas do faraó ofereciam uma morada alternativa para o ka, caso o corpo mumificado se deteriorasse e não pudesse mais hospedá-lo. 

(Fonte: Strickland, Carol. Arte Comentada: da Pré-historia ao Pós-moderno.
Editora: Ediouro, 1999) 


A ARTE DA MUMIFICAÇÃO

Os egípcios acreditavam que o ka, ou força vital, era imortal. Com o objetivo de fornecer um receptáculo durável  para o espírito, aperfeiçoaram a ciência do embalsamamento. A preservação do corpo começava com a extração do cérebro do falecido através das narinas, com um gancho de metal. As vísceras – fígado, pulmões, estômago e intestinos – eram removidas e preservadas em urnas separadas. O que restava ficava imerso em salmoura durante um mês, e depois o cadáver em conserva era literalmente estendido para secar. O cadáver, enrugado, era então recheado – os seios das mulheres eram estofados -envolto em várias camadas de ataduras, e finalmente confinado num caixão e num sarcófago de pedra. Na verdade, o clima seco do Egito e a ausência de bactérias nas areias e no ar provavelmente contribuíam para a preservação do corpo tanto quanto este tratamento químico. Em 1881, quarenta corpos de reis foram descobertos, inclusive o do Faraó Ramsés II, que tinha a pele ressecada, os dentes e os cabelos ainda intactos. O monarca de três mil anos de idade, em cuja corte Moisés se criou, era chamado “O Grande”, e por boas razões: gerou mais de cem filhos durante seus opulentos 67 anos de reinado. No entanto, quando um inspetor da alfândega examinou os restos de Ramsés II, na transferência da múmia para o Cairo, rotulou-o como “peixe seco”.


 Fonte: Strickland, Carol. Arte Comentada: da Pré-historia ao Pós-moderno. Editora: Ediouro, 1999


 
Ramsés II


TUTANCÂMON
O FARAÓ DO OURO

O Faraó Tutancâmon, morto aos 19 anos, não foi importante em vida. Mas na morte, passados três mil anos, tornou-se o mais famoso de todos os faraós. Seu túmulo foi o único descoberto em condições próximas às originais. O arqueólogo inglês Howard Carter era o único a acreditar que a tumba poderia ser encontrada. Durante seis anos ele escavou o Vale dos Reis e, por duas vezes, chegou a dois metros da entrada da tumba. Em 1922, literalmente bateu os olhos na tumba. Ao acender um fósforo para enxergar na escuridão, viu “o brilho do ouro em toda parte”.
Tomamos conhecimento da magnificência funérea dos faraós através da tumba de Tutancâmon. A câmara mortuária continha desde cestas de frutas e guirlandas de flores que ainda mantinham as cores, uma cama dobrável e uma caixa de brinquedos até quatro carruagens totalmente revestidas em ouro. De fato, o ouro predominava na decoração: sofás de ouro, trono dourado, paredes de ouro, um caixão de quase dois metros de ouro maciço, além da hoje famosa máscara mortuária cobrindo o rosto da real múmia no mais recôndido dos três caixões que se aninhavam um dentro do outro.
Mas de vinte pessoas envolvidas na abertura da tumba morreram em circunstâncias misteriosas, dando margem a histórias sinistras sobre a “maldição do faraó”. Essas superstição, porém, não impediram que uma turnê de Tutancâmon mundo afora atraísse mais visitantes aos museus que qualquer outra exposição na história.

onte: Strickland, Carol. Arte Comentada: da Pré-historia ao Pós-moderno. Editora: Ediouro, 1999

 Máscara mortuária de Tutancâmon
Afresci da câmara mortuária de Tutancâmon, aparecendo as figuras de Anúbis,
o faraó e Ísis










Descando para a cabeça do rei, feito em marfim.Shu, deus da atmosfera é a base e os leões representam a alvorada e o crepúsculo

Sarcófagos de ouro de Tutancâmon

Trono de ourto de Tutancâmon




A MALDIÇÃO ERA UM FUNGO

             Guiado por um xeque, o viajante inglês Richard Pococke em 1743, foi o primeiro a chamar a atenção da Europa para uma região conhecida como Vale do Reis, a oeste de Tebas, no Egito. Ele tinha avistado catorze dos sessenta túmulos existentes no Vale, mas não sabia que todos os faraós e nobres mortos entre 1567 e 1085 a.C. estavam ali enterrados. Na época de Pococke, era impossível explorar o local: todos os que se aproximavam era expulsos por quadrilhas de ladrões que habitavam as colinas. Talvez a primeira grande descoberta tenha ocorrido em 1881, quando o subdiretor do Museu do Cairo, Emile Brugsch, seguindo a pista de um ladrão, encontrou num poço nada menos de 31 caixões e 24 múmias – entre ela a do faraó Ramsés II (reinou de 1304 a 1237).
           A maioria dos túmulos havia sido saqueada por ladrões. No início deste século, aparentemente tudo o que restava de valor já estava exposto em museus. Talvez por isso a descoberta mais empolgante tenha sido a múmia do faraó Tutancâmon (reinou de 1361 a 1352 a.C.) no dia 04 de abril de 1923. Foi a consagração do arqueólogo inglês Howard Carter, que levou 23 anos procurando o túmulo. Mas, como Lord Carnavon, o milionário que financiara essa busca, morreu repentinamente um mês depois da descoberta, sugiu a lenda de sua maldição, mesmo porque no túmulo havia a inscrição: “A morte tocará com suas asas aquele que desrespeitar o faraó”.
               Para reforçar essa crença, nos meses seguintes outros 25 membros da expedição inglesa morreram em condições misteriosas. Só há três anos, médicos franceses conseguiram explicar essas mortes: os pesquisadores que entraram na tumba do faraó respiraram um ar impregnado de fungos. Isso causou uma reação alérgica de insuficiência respiratória, que acabou matando-os por asfixia.

(Revista Superinteressante, Abril, n.6, 1988 – está no livro de  
Editora FTD, 1997)





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